terça-feira, 12 de julho de 2011

Poe mão

Enrolo meu braço em tua cintura
E isso já é poesia.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Línguas ou Sob Encomenda

Se aquelas paredes falassem
Se aqueles desenhos falassem
Se as chuvas e as gotas falassem
Se a luz amarela do poste que pousava sobre tua pele branca falasse
Se o pouco espaço entrecolchões falasse
Se o toque de peles suadas e desnudas falasse
Se o desejo pudesse falar
Se meu corpo, em suas reações, ereções e desejo, falasse
Se teu corpo, solto, descomplexo e enverso falasse

Haveria muitas línguas, linguagens, palavras e palavrões
Traduzidos em sussurros inescutáveis àquela hora da noite

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Fim de ciclo: crise

A gente se forma. Depois de muito esperar, a gente se forma.
Mas nosso corpo e nossa vida não são acostumados com muita liberdade. Assim que nos vemos em um não-fazer obrigatório, com tempo livre e sem muitas certezas futuras - trabalho nunca é certeza para ninguém -, a gente pára. Param os desejos, as esperanças, o palpitar do coração. Vem a ansiedade, o anseio, a raiva, a vontade de não se sabe o quê. Vontade de dormir, e dormir, e dormir...
Acabar um curso é fechar um ciclo. Um ciclo que, para mim, durou quatro anos, marcados por namoros, brigas, incertezas, firmeza de postura, problemas familiares, encontro com amigos importantes e movimentação política. Tudo isso em torno da universidade, das pessoas que a fazem e dos amigos que lá fiz. Deixar isso de uma hora para outra não é nenhum pouco fácil. Também não é nem um pouco fácil ficar à mercê do mercado de trabalho, algo tão insólito e traiçoeiro como uma gelatina cheia de corantes e calorias. Novos mundo se abrem, ou é você que volta àquele velho mundinho, que você havia esquecido ao adentrar os muros da universidade.
O que deixar? O que ficar? Não sei. Não sei de muita coisa. Deixa eu ficar só, só um pouquinho. Sem ninguém, sem redes sociais, sem o mundo. Deixa eu.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Autoreferência Gay

Então, acabei de ver o vídeo "Não Gosto dos Meninos", do Andre Matarazzo e do Gustavo Ferri, e fiquei pensando alguma coisas. Dá uma olhada e a gente conversa.


Lembro que uma vez um amigo (gay) meu falou que estava cansado das bee porque todas eram muito autoreferentes. Fiquei pensando na hora, mas acabei guardando. De fato, toda bicha é meio autoreferente, seja da história de vida, seja da roupa que usa, seja da performance que atua, seja dos vídeos que vê no Youtube, seja pelo que faz, enfim. E vi que, nesse filme, rola muito isso também. Claro que a proposta é fazer um vídeo com estórias de vida de personagens gays, baseado no projeto It Gets Better. Nesse sentido, o filme segue legal a proposta e atinge seu público e seu alvo, sendo de grande importância sobre a conscientização do ser gay.
Mas acho que está na hora de ir mais além. Deixa de ser autoreferente. Ok, você sofreu, brincava de boneca com as meninas da sua turma de escola, sua mãe não te aceitou, você agora tem um relacionamento incrível e o melhor é se aassumir. As estórias são bem parecidas. Porém, acho que está na hora de pensar na relação com os demais gays. Como você lida com os outros gays? Como você lida com uma trava da favela? E com um gay negro? Você não gosta daquelas bichas afeminadas? Você é passivo ou ativo? Por quê? Não sei bem explicar, mas é tentar ir além de si mesmo, do próprio umbigo, da própria história de vida, e ir além.
Parece-me que com essa autoreferência gay, todos são bonitinhos e sofridos, e que todos os conflitos se resolvem porque se assumiram ou tem hoje um relacionamento estável e consegue se manter bem. Talvez uma coisa meio "o sonho da casa própria" da classe média. E os outros, e as demais estórias, à galera que passa um sufoco nos interiores do Brasil pra se assumir, quem precisa o tempo todo se afirmar na favela, aqueles que só conseguiram se segurar na prostituição. Temos que pensar como nos relacionamos com os outros gays. E refletir isso tudo.

São-Paulistando I

Aqui em São Paulo, eu tenho medo das pessoas. Não que as pessoas necessariamente façam medo, mas eu me sinto medroso aqui. Sinto que vão me olhar de alto a baixo, que vão me ignorar, que vão me ignorante, que vão me julgar e me decidir antes que eu decida por mim mesmo. Rostos simpáticos na rua? Não. Sinto que, se eu passar fome, ou frio, ou medo, não me socorrerão. As ruas estão cheias desses.

Mãe, aqui é frio.
Não há sol, e sinto falta dessa energia. Não dá vontade de sair. As coisas estão aqui, frias, congeladas, como podem viver numa cidade dessa? As pessoas aqui trabalham, comem de vez em quando, dormem, e trabalham de novo. Ciclicamente.

Sinto falta de vocês all. Não queria sentir, pois essa saudade toda me paralisa, me deixa tenso e nervoso, penso no que acontece aí, e tenho vontade de ter um sonho tão grande que abarque todos vocês e tudo isso e que eu acordasse bem, pois pude passar uma noite inteira com todos vocês. Daí minha saudade passaria, e eu voltaria a ficar seguro.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Seu sexo ereto e segurança




É no meio da insegurança que encontramos segurança. Essa não é nunca a mesma se não colocada à prova. Segurança sem provas é medo desesperadamente maquiado. Ali, entre rolas, xoxotas, peitos, pés, bocas, desejo e suor, tinha só olhos para ele. Do meu lado, eu ao lado dele, e aos nossos lados, corpo deliciosos e deliciados em plena orgia, num sofá pequeno de meia lua na parede. Eram corpos de sexo, sem roupas, ou acessórios; corpos plenamente quentes, brancos e morenos e negros, de tons quentes à meia luz da sala de curtas luzes. O corpo dele também era quente, seu sexo latejava, seu sexo era meu conhecido, sabia-lhe os toques, os prazeres e o gozo. Era nele que mirava: nele, no seu sorriso, seu olhar e no seu sexo. Ali, ereto, levantado, aos meus olhos e boca, ele me o oferecia. Eu, com dengo, charme e desejo de casal, aderi e qui-lo. Sorriu e eu sorri, com seu sexo entre meus lábios.

sábado, 2 de abril de 2011

Amanhecendo no táxi

Já saímos de táxi, de madrugada.
Olhávamos, de rosto inchado, o céu e suas cores, a luz que teimava em arranhar as pupilas. E nosso olhos sujos, vermelhos, inchados eram marcas da madrugada que havíamos pecado juntos. E nisso, havia um quê de divino, de mágico. Pois, se entre as quatro paredes do motel, poderíamos estar juntos e nos abraçarmos e sermos lindos um com o outro, ali fora isso era crime e pecado. E nossa paixão, nossa cumplicidade ali disfarçada era um segredo, que só se dissipava quando nossos olhares se encontravam no meio da rua, no corredor das exposições, no caminho do ônibus. Ou, naquela manhã inquieta, nos caminhos do táxi até em casa.