quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Tatuajes

E, ainda, esse corpo que insiste.

Não me pergunte o que pode o corpo, mas o que não pode o corpo.
Esse corpo pesado, tangível, discretamente indiscreto, mas que passa imperceptível.

Corpo rejeitado, modificado, biopoliticamente disciplinado, de gestos e posturas programadas.
Fugir do corpo? Nem. Há que se criar com ele, inventar outros corpos, outras ações. Outros sexos.
Esse corpo sagrado, profanado, erotizado e pornotatuado.

Esse corpo que insiste, que existe, que resiste re-existindo a despeito e por causa de tudo.
Dele não me atrevo a desatar: ele é eu; sem ele, me morro, me mato.

Lançado nesse mundo de meu Deus, ou de meus deuses (Eros é um deles), tenho medo e sente medo, ele, meu corpo. O medo de apanhar, de não saber, de não sorver. Por isso escreve, se increve, ora para se inscrever no mundo, ora para se livrar do próprio corpo e ser apenas palavra.

Corpo poeta, pesquisador poeta. Tudo o que diz é verdade.
Deixa de ser verdade depois de dito. Para não ser mais, nem voltar a ser.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

porralolaporra

a porra da rola suja
de porra.

a porra suja a rola.
toda.

toda a porra suja de
rola.

toda rola suja, porra loka.

terceira pessoa plural

somos todos(:)
eu e elle

terça-feira, 13 de agosto de 2013

subsub

sobre isso, me calo:
sobre isso, não falo.

sábado, 13 de julho de 2013

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Vim trazer notícias de lá

Soube que as pessoas endurecem suas costas endurecem elas perdem do movimento e da sensibilidade de suas costas. Soube que seus rostos podem se encharcar de lágrimas, mas, ao secar, também endurecem. os olhos perdem o brilho, a boca se fecha, e um semblante pesado se instaura. 

Soube que pedras podem pesar como corações e que corações podem pesar mais que pedras. Que amizades se contam nos dedos, e que amigos são uma espécie em extinção. aprendi que pode-se acabar com a própria vida sem se matar, e que a cama pode se tornar o lugar mais seguro que alguém possa sentir.

Viajei, e vi que muitos poucos são os que nos acolhem. Mas aqueles que nos acolhem são inesquecíveis nos protegem com unhas e dentes. Subi e desci ladeiras, andei sobre trilhos, passeei sob arcos. Ouvi alemães, espanhóis, cariocas, e vi que distância não é estar longe: é um estar perto distância é estar perto e não conseguir abraçar.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

fdormir

Daí que a gente estava na praia, era menos que madrugada, ou menos que dia
a gente tava muito bêbado e nem sabia direito o que fazia ali, mas havia uma ressaca tremenda, ou uma ressaca tremenda estava por vir
e depois de escrever tanto em meu blogue sobre ele durante todo e tanto tempo a gente se encontrava na praia e algumas coisas dizíamos
não não era mais blogue era outra coisa, um escrito ébrio estava por vir
eram cinco da manhã não havia mais nada o que pra fazer fui fdormir

havia o cefet, havia a vida, havia aquela vida que acordava às cinco da manhã para nada
me perturbava, me perturba, mas me deseja
não sei se não são por vinte centavos, é por ela inteira (a vida)