terça-feira, 26 de abril de 2016

dos teus sapatos

tu me deixa bêbado
atônito
tonto até

me deixa bagunçado
e quão bagunçado eu fico
contigo
é como ressaca de viagem
(é também ressaca de viagem)

é voltar pra casa, sem cama, sem sono, sem tu
é voltar nessa estrada sozinho, sem muitas esperanças, a não ser a de voltar
a de voltar sempre
assim que dá
assim que der

tu me deixas bêbado
mas sou eu quem tira teus sapatos antes de dormir




segunda-feira, 19 de outubro de 2015

teu pé tomando sol

sabes que, contigo e para ti, não é necessário mais música.
claro, ainda tem aquelas da rita lee, para você ser meu namoradinho. e que nem vou suportar você com outro alguém. ou ainda: nada é melhor que deitar o rolar com você.

e nem precisa de música pra isso. até pensei em colocar uma. mas meu humor é todo teu. nem quero nem preciso de música para me divertir, me acalmar. és tu meu muso e músico e música.

é só olhar no canto da porta do quarto, ver o teu pé tomando um sol na beira da cama.
e ganho meu dia.

e ganho minha vida. 

quinta-feira, 2 de abril de 2015

traga

vem, vem pra cá
goza aqui
resplandece
goza de novo
minha cara

-- traz umas cervejas.

nessa semana essa cerveja da semana que vem

e havia ali um ensejo, um desejo, por sorte. ali, aquele animal de óculos, que transparecia ou refletia tanto dos seus desejos. e aquele tempo, por mais que passasse, e quanto mais passasse, aumentava-lhe de tal maneira seu desejo que tudo que queria ali era beijar-lhe a boca.
com todos os medos possíveis. mas também com toda lembrança. lembrança do corpo, eterna esperança. e a intermitência, o diálogo de tais intermitências, as idas, as vindas, os retornos. os fragmentos de tempo, de desejo, e de procura.

e a esperança dessa cerveja na semana que vem. 

sábado, 7 de março de 2015

epistemologia do pornô

como pesquisar do pornô sem lhe desejar?
qual a graça, qual a epistemologia presente ou não presente em analisar o pornô sem que se deixe que suscite desejos? sem perceber os planos e como eles podem introduzir novas potências ao mesmo tempo em que te levam a bater uma? e essas bundas, como aparecem no plano -- e que bundas gostosas que quero lamber e chupar-lhes, opa?


domingo, 16 de novembro de 2014

mundo aberto sorriso incerto

sim
queria mesmo dizer que são meus sonhos
essa luz e preguiça de domingo na tua cama
o cheiro do novo pelo ar
a impressão de novo começo
ou a ansiedade de 17 anos que vai saindo pela primeira vez
ou de quem perde o medo do mundo para amar e beijar os amigos em viagens distintas

posso dizer de um novo recomeçar
isso não é poesia, pode ser confissão
pode ser o que for
até expressão

mas escrevo e constituição de mim, dos outros, da tua cama e de ti
não sei mais quem sou

mundo aberto, sorriso incerto
eis-me aqui

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

10 minutos enamorado

10 minutos.
Sim, nosso namoro durou dez minutos. Não mais, nem menos.
Nem tão só, nem já, nem tarde. 10 minutos.

Ali, nos enamoramos pelo olhar. Assim, descaradamente, na frente de todo mundo. Aquele absurdo matinal. Um desejo de boca que aproximava, e que encarava. Assim, na frente de todo mundo.

Sabe daqueles olhares que dizem de si mesmo, como que falam "Sim, sou eu eu mesmo, eu estou te olhando mesmo. É isso, paquerando com você". E de tão metaolhar, era irônico, sarcástico.

Durante nosso namoro, nos vimos, nos escondemos. Rimos um da cara do outro, um na cara do outro, tamanha cara de pau. Em alguns momentos era brincadeira, em outras, sedução. [Ora, e quem disse que sedução não é um tipo de brincadeira?]

Aproximei-me. O olhar ficou mais curto. Era preciso mais volta do pescoço. Difícil. Ali, na frente de todo mundo.

Saí sem saber seu nome. Namoro de sem nome, namoro de olhar. Mas me despedi, mesmo assim. Nosso namoro acabou sem que nos olhássemos novamente. Ali, na frente de todo mundo.