quinta-feira, 15 de novembro de 2012

sexo avista

era aquilo.
o penis à minha vista ao lado dele. também o penis dele.
eram penis. dois. à minha vista
era eu, portanto, o penis e a minha vista. era eu, portanto, olhos e sexo.
sexo dele também. sexo também dele. 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Imagem da beleza de uma viagem sem sentido

E lá estava eu.
Lençol no pescoço, e o mundo começando.

sábado, 6 de outubro de 2012

modulando

às vezes é preciso chegar no fundo, lá onde nem energia mais existe
pra poder encontrar algo, um lampejo, uma luz, algo discreto mas que move
ali, onde o corpo nem aguenta mais, que pede arrego e sente medo
mas é nesse medo que eu vou
assim como com a ansiedade
modulando

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Deixa ser assim

A ti, com quem aprendi a ler;
A ti, com quem aprendi a andar: a andar no Centro, no bairro, no mundo afora;
A ti, com quem deixei alguns dos meus medos e resquícios de insegurança; a ti, com quem também criei inseguranças;
A ti, que me ensinou a cozinhar carne de sol com feijão verde, bem gostoso.
E me ensinou a casa, a assitir novela e sessão da tarde, a comer na hora antes do colégio, a curar a sinusite;
e ainda: me disse que não há amigos, mas colegas, afirmação que me afeta de alguma forma até hoje;
não me ensinou dos livros, mas me mostrou o gibi 
a turma da mônica, os filmes infantis, os paradidáticos que se seguiram
a ti, de quem aprendi a ser perto, mas também a ser distante
de quem vi os gestos de dor e tristeza, e de quem um sorriso vale tanto a pena.

tem vez que lembrar da sra. é tão bom.
espero que esteja bem.
mãe.




valei.me

E nesse regime de afeições,
fico me perguntando ou sentindo o quanto é difícil ensaiar um gesto.
Mais que isso: fico me perguntando como é difícil ensaiar um gesto que não o de uma resistência. Mas uma resistência a favor de si, contra o outro. Como sempre resistir ao outro.
Isso demanda uma energia em contrário, ou um corte de potência.
É a tristeza, segundo Spinoza.

valeime.


domingo, 16 de setembro de 2012

Nem tanto assim

Engraçado como parece que você precisa de uma certa aceitação da comunidade para se sentir bem, no relacionamento. Como se os senhores e as senhoras que você encontra na rua, como se a família que pode te ver da sua janela ou da sua varanda, como se os donos dos bares e das mercearias perto de sua casa, como se fosse necessário que todos eles demonstrassem ou dissessem aceitar e respeitar de fato sua comunhão para que você se sinta bem e tranquilo em acessar e comunicar e viver uma relação ou um gostar, do mais simples que seja. Na verdade, não precisam falar, afirmar, mas viver e conviver. Não achar que um beijo ou um abraço ou um cafuné de um homem em outro, ou de uma mulher em outra, ou de um homem e uma travesti, ou de um travesti e uma mulher, ou de um travesti e um homem, ou de uma travesti e uma mulher, ou de transexuais, ora, de que gênero for, é algo estranho, vergonhoso ou bizarro. Não precisa de muito.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Bem assim.

Se eu existo, como existo, como leio?
Como temo, como anseio, como o tenho?

No leito, me encorajo de solidão e luto.
Bem assim.