domingo, 23 de junho de 2013

sem título breve

e, de ti, é que não consigo esquecer
não consigo sair de mim sem sair de ti,
e quando saio de ti, pareço não viver: piloto automático

autômato
assim vou seguindo, trabalhando, estudando, fazendo, namorando, esquecendo e lembrando
como que vivendo
como se sobrevivendo

sobrevivência em dor, em or



estive pensando em você

segunda-feira, 13 de maio de 2013

sério, por favor

foi assim:
era noite e a gente nem sabia o que fazer
eu tocava a perna dele, ele tocava a mim, nem epitelial: d'outros afetos suscitava
e eu lá, ele ali, sem saber o que fazer: e se passasse alguém? nem sei
- e se passasse alguém na minha cabeça, na minha vida?
para, para tudo;
não quero mais: me deixa

quarta-feira, 24 de abril de 2013

sossegadisso

a gente não segurou o sorriso
o sorriso, no entanto, segurou a gente
e a gente se segurou um no outro

trova

Trovejou
quando ele gozou.

sábado, 13 de abril de 2013

Travisto-me

Travisto-me, sim.

Gosto de me travestir, de me vestir com as roupas dele.
Gosto de vestir suas calças, bermudas e cuecas, e me travisto dele. Sou como ele, no andar, nas marcas, de roupa e de estilo, e ando travestido.
Às vezes, é dele que me travisto.

Para além disso, gosto de ser travesti: de ser estrangeiro.
Gosto de ser estrangeiro nessa cidade, nessa vizinhança, gosto de ser estrangeiro nessa universidade.
Assim, nessa familiaridade que se constrói nesse estrangeiro, nessa cidade estrangeira, passo a também me sentir estrangeiro na minha cidade. Minha cidade se torna outra cidade, diferente; não mais uma cidade a qual me acoplava e que era extensão de meu ser; é objeto no sentido mais lato e comum: distante, uma imagem na mente.

Mas essa vida não é fácil. Ser travesti implica nem saber quem se é, se se é autoperformance ou mentira mesmo. Nem quem se é se sabe outrora como mas, mais. Deixe.

terça-feira, 12 de março de 2013

Daqueles ou desses ou dos próximos dias mais tranquilos

Esse mundo é mau. Falo isso como abuso de criança mimada e de bico apontado. Mas também com lucidez de adulto que tem tentado amadurecer. O mundo é mesmo mau, e acho que a gente, às vezes, tem que mesmo aprender a ser mau e rude. Não há ninguém que vele pelo nosso sono.

Não consigo imaginar mais se haveria um mundo bom. Ou se, há pouco mais de dez anos, se eu imaginava um mundo bom, não lembro mais. A vida, ela, sim, nunca foi feita de muitos carinhos, de mão afeitas.

Talvez esse mundo sexual de que me apropriei para criar minhas fantasias parece cheio de armadilhas, e me faça mais temê-lo que querê-lo. Também não saber dizer não. De algum modo, essas situações vão agenciando minhas ações, minhas palavras, minhas decisões, mas também meu conforto, o meu permanecer, o meu estar e ficar por aqui.


Mas tenho saudade da minha cidade, da minha terra, desses dias mais tranquilos.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ainda passa aqui, pelo corpo

Em coma. Sinto-me em coma, funcionando no automático.

Há um tempo, parece, há que se esquecer de muita coisa, seguir caminhando, inventar caminhos e destroçar o que já foi, ou que mesmo já está destroçado. Outrora, havia escrito aqui que é preciso, que é hora de se comprometer. Mas isso, ora, é tão difícil de se fazer, porque, talvez, não é apenas pela cabeça, mas isso também passa pelo corpo. Essa cidade é difícil, eu sou difícil nessa cidade. Cadê os amigos, o passados, o contruído, aquilo que herdei com meus próprios pés e gestos?, cá eu não os encontro.

Funciono no automático, vou lendo, descrevendo, escrevendo, falando. Mas a verdade é que os laços aqui são difíceis de ser atados. Ou sou eu que sou difícil nessa tarefa de atar laços em terras fortalezenses.