sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Deixa ser assim

A ti, com quem aprendi a ler;
A ti, com quem aprendi a andar: a andar no Centro, no bairro, no mundo afora;
A ti, com quem deixei alguns dos meus medos e resquícios de insegurança; a ti, com quem também criei inseguranças;
A ti, que me ensinou a cozinhar carne de sol com feijão verde, bem gostoso.
E me ensinou a casa, a assitir novela e sessão da tarde, a comer na hora antes do colégio, a curar a sinusite;
e ainda: me disse que não há amigos, mas colegas, afirmação que me afeta de alguma forma até hoje;
não me ensinou dos livros, mas me mostrou o gibi 
a turma da mônica, os filmes infantis, os paradidáticos que se seguiram
a ti, de quem aprendi a ser perto, mas também a ser distante
de quem vi os gestos de dor e tristeza, e de quem um sorriso vale tanto a pena.

tem vez que lembrar da sra. é tão bom.
espero que esteja bem.
mãe.




valei.me

E nesse regime de afeições,
fico me perguntando ou sentindo o quanto é difícil ensaiar um gesto.
Mais que isso: fico me perguntando como é difícil ensaiar um gesto que não o de uma resistência. Mas uma resistência a favor de si, contra o outro. Como sempre resistir ao outro.
Isso demanda uma energia em contrário, ou um corte de potência.
É a tristeza, segundo Spinoza.

valeime.


domingo, 16 de setembro de 2012

Nem tanto assim

Engraçado como parece que você precisa de uma certa aceitação da comunidade para se sentir bem, no relacionamento. Como se os senhores e as senhoras que você encontra na rua, como se a família que pode te ver da sua janela ou da sua varanda, como se os donos dos bares e das mercearias perto de sua casa, como se fosse necessário que todos eles demonstrassem ou dissessem aceitar e respeitar de fato sua comunhão para que você se sinta bem e tranquilo em acessar e comunicar e viver uma relação ou um gostar, do mais simples que seja. Na verdade, não precisam falar, afirmar, mas viver e conviver. Não achar que um beijo ou um abraço ou um cafuné de um homem em outro, ou de uma mulher em outra, ou de um homem e uma travesti, ou de um travesti e uma mulher, ou de um travesti e um homem, ou de uma travesti e uma mulher, ou de transexuais, ora, de que gênero for, é algo estranho, vergonhoso ou bizarro. Não precisa de muito.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Bem assim.

Se eu existo, como existo, como leio?
Como temo, como anseio, como o tenho?

No leito, me encorajo de solidão e luto.
Bem assim.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Ruídos e ruíres

E, por essas horas, não há muito o que fazer.
Há que se esperar. Esperar sem ansiedade, mas com vontade. Aproveitando cada momento, cada cheiro, cada esperança, cada decisão. Cada amigo, cada companhia, cada sinceridade. Cada ação, cada momento, cada um. Esperar.
Fico aqui esperando e, por horas, o tédio me toma. Mas não, não fico mais ansioso esperando esse tédio passar, ou esperando que passe, ou buscando mil coisas que o façam passar, ficando tão ansioso novamente porque ele não passa, e assim num ciclo sem fim. Não. Pois espero o tédio tomar conta, e, se acontecer o inesperado, será extraordinário, se não, estaremos no seguir cotidiano da vida. Fico em tédio, leio, converso, durmo, como, anseio, penso, desejo, vontade, queria, você.

Vamo seguindo, seguindo em frente, seguindo andando, tateando essa rede que nos vem, nos toma e, por vezes, nos convem, e nos co-movem. Deixa os estímulos aparecerem, desejarem, os afetos ruírem e se refazerem, porque assim eu volto novo, desejado e com vontade. 

sábado, 4 de agosto de 2012

Muda a tudo

As coisas tem mudado por aqui em casa.
E então parece que tenho medo das mudanças, do devir. Tudo parece mudar a todo tempo. O dinheiro, a casa, as famílias, os amores, os medos, as cores. As ruas, as cidades, o tempo.
Camila se foi, volta em pouco tempo. Mas depois Fernanda se vai, e se vai para não voltar em pouco tempo. Os quartos mudam, o arranjo da casa muda, e os planos para futuro também mudam. Viajar, Minas, doutoramento. E tudo vai mudando.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Honra dos compromissos. Do comprometer-se.

Me parece que é hora de comprometer-se.

Hora de se comprometer com a sorte. Com os amigos. Com quem você divide a casa.
Hora de se compromenter com projetos. Políticos, estéticos. Política de vida. A macro e a micropolítica.
Hora de se comprometer com o que se estuda, com o que se pensa em fazer.

Hora de se comprometer mais uma vez com as pessoas. Com os desejos. Entendê-los e dizê-los.
Hora de estar junto, de estar, de juntar(-se).
Hora de se decidir e mais, estar disposto a tomar decisões, e saber que delas deriva sua liberdade e sua responsabilidade. Comprometer-se com o que escuta, com o que vê, com o que lê.
Comprometer-se com os afectos, de estar aberto às afecções. De chorar por elas.

Hora de comprometer-se é hora de estar aberto. De estar aberto ao outro, ao carinho do outro, de pedir o carinho do outro. E de saber dar, também. De trocar afetos e carinho. Ou de saber cumprir um silêncio, sem medo.



Comprometer-se é, sim, ter medo. Ter medo de perder, de errar, de estar na errância. De não saber e, portanto, de reconhecer o devir. Não sem medo.

Hora de se comprometer com os amigos, e com as cidades que te ocupam. De se ocupar das ruas, dos cantos, dos canteiros; do asfalto, dos carros, dos ônibus. Das rotas, das idas e vindas, dos aparelhos, institucionais ou àqueles à mão. De saber ser funcionário - de saber que se é funcionário - e de saber ser programador, quiçá, revolucionário.

Se comprometer com os passos, com a desordem do caminhos. Com os desejos, os anseios.

Contigo. e com nós todos.

é hora de se comprometer, é hora de comprometer-se, man.