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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Ruídos e ruíres

E, por essas horas, não há muito o que fazer.
Há que se esperar. Esperar sem ansiedade, mas com vontade. Aproveitando cada momento, cada cheiro, cada esperança, cada decisão. Cada amigo, cada companhia, cada sinceridade. Cada ação, cada momento, cada um. Esperar.
Fico aqui esperando e, por horas, o tédio me toma. Mas não, não fico mais ansioso esperando esse tédio passar, ou esperando que passe, ou buscando mil coisas que o façam passar, ficando tão ansioso novamente porque ele não passa, e assim num ciclo sem fim. Não. Pois espero o tédio tomar conta, e, se acontecer o inesperado, será extraordinário, se não, estaremos no seguir cotidiano da vida. Fico em tédio, leio, converso, durmo, como, anseio, penso, desejo, vontade, queria, você.

Vamo seguindo, seguindo em frente, seguindo andando, tateando essa rede que nos vem, nos toma e, por vezes, nos convem, e nos co-movem. Deixa os estímulos aparecerem, desejarem, os afetos ruírem e se refazerem, porque assim eu volto novo, desejado e com vontade. 

sábado, 9 de junho de 2012

tu e tal

Algumas coisas são da ordem do indizível.
Às vezes, do invisível.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Assim que acordo,
abro as janelas.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Pequeno doloroso diálogo madrugal

- Oi.
- Oi.
- Tudo bem.
- Como é que você tá?
- Tudo bem - respondeu choroso.
- Tais em casa?
- To sim. Tais onde? Na universidade?
- To sim.
- Tava ficando com alguém, foi?
- Mais ou menos... - respondeu triste e, ao mesmo tempo, reticente.
- Ta bom. Tchau.
- Fica bem, viu?
- Ta bom. Tchau.

Daí, deitou, mas não conseguiu dormir, a cama balançava a noite toda, na verdade era o corpo que balançava, tremia, gemia, doía, gritava de dor e aflição. Chorava, rangia, e a ansiedade lhe desesperava. Não sabia o que fazer. A mãe, no quarto ao lado, não poderia perceber nada, nenhum grito do choro. Não resistiu, com os primeiros raios do dia, vestiu a calça e a camisa com que havia chegado na noite anterior e se debandou de casa, sem se importar como o que a mãe pensaria com aquela saída repentina.
Eram cinco da manhã, e esperaria até as cinco e meia da manhã pelo ônibus. Veio, e foi. Chegando à universidade, nada, nenhum sinal, nenhum vestígio de vida, Nada, nenhum vestígio dele. Andou até o fim da pista, e chorou copiosamente. Voltou insatisfeito, triste, enciumado. Voltou de ônibus, por volta das seis e meia da matina. Nunca mais fora o mesmo.