sábado, 4 de agosto de 2012

Muda a tudo

As coisas tem mudado por aqui em casa.
E então parece que tenho medo das mudanças, do devir. Tudo parece mudar a todo tempo. O dinheiro, a casa, as famílias, os amores, os medos, as cores. As ruas, as cidades, o tempo.
Camila se foi, volta em pouco tempo. Mas depois Fernanda se vai, e se vai para não voltar em pouco tempo. Os quartos mudam, o arranjo da casa muda, e os planos para futuro também mudam. Viajar, Minas, doutoramento. E tudo vai mudando.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Honra dos compromissos. Do comprometer-se.

Me parece que é hora de comprometer-se.

Hora de se comprometer com a sorte. Com os amigos. Com quem você divide a casa.
Hora de se compromenter com projetos. Políticos, estéticos. Política de vida. A macro e a micropolítica.
Hora de se comprometer com o que se estuda, com o que se pensa em fazer.

Hora de se comprometer mais uma vez com as pessoas. Com os desejos. Entendê-los e dizê-los.
Hora de estar junto, de estar, de juntar(-se).
Hora de se decidir e mais, estar disposto a tomar decisões, e saber que delas deriva sua liberdade e sua responsabilidade. Comprometer-se com o que escuta, com o que vê, com o que lê.
Comprometer-se com os afectos, de estar aberto às afecções. De chorar por elas.

Hora de comprometer-se é hora de estar aberto. De estar aberto ao outro, ao carinho do outro, de pedir o carinho do outro. E de saber dar, também. De trocar afetos e carinho. Ou de saber cumprir um silêncio, sem medo.



Comprometer-se é, sim, ter medo. Ter medo de perder, de errar, de estar na errância. De não saber e, portanto, de reconhecer o devir. Não sem medo.

Hora de se comprometer com os amigos, e com as cidades que te ocupam. De se ocupar das ruas, dos cantos, dos canteiros; do asfalto, dos carros, dos ônibus. Das rotas, das idas e vindas, dos aparelhos, institucionais ou àqueles à mão. De saber ser funcionário - de saber que se é funcionário - e de saber ser programador, quiçá, revolucionário.

Se comprometer com os passos, com a desordem do caminhos. Com os desejos, os anseios.

Contigo. e com nós todos.

é hora de se comprometer, é hora de comprometer-se, man.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

você não gosta de mim.
mas seu amigo gosta.
 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Daqui respiro, espero.

É tristeza.
Tristeza de quando bate saudade. Saudade besta. Saudadinha besta. Ou não.

é saudade. e o curso da palavra é escrevê-la em minúsculo mesmo, porque já faz parte, faz parte do fluxo de pensamentos, do fluxo de palavras. saudade, que faz parte do curso.

curso de águas, talvez. e não quero nada que me remeta-te. nem quero. só ouso. ouso estar, aqui. sentindo. saudade.


ousado. assim tento ser, no meu espaço, aqui, no canto, no canto da micropolitica. no campo. de pesquisa, de micropolítica. ouso lembrar. mas não quero lembrar. acho que esquecer. mas nem sei. talvez.

talvez. esquecer. esperar. nem sei. nem sei esperar. to aprendendo. mas não sei se a te esperar, mas espero te esperar. aprendo, assim a esperar, nem que seja esperar te esperar.

espera. latente. e a saudade corre, labuta, meio com força. como força que me atinge, e me loca. pois é, essa saudade não me desloca, não cria deslocamento, mas me reloca, num lugar que nem sei, mas sei que é meu. aqui espero, esperando.

sem mais. mas menos, sim. menos. e menos vou ficando [aqui]. acendo um cigarro, aceso, ele consome, e me consome, consome uma saudade, e consome o que de mim fica. e me lembro, se ouso lembrar.

esperar de esperança? esperar de pescar: não se sabe o que vem, não se sabe se vem, que vem, ou não.

po.


sábado, 9 de junho de 2012

tu e tal

Algumas coisas são da ordem do indizível.
Às vezes, do invisível.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Em devir.

Às vezes, aqui, nessa cidade, Fortaleza, bairro Joaquim Távora, acho que minha vi(d)a é a pesquisa, é o mestrado. Acho que não. Mas sinto que, nela (na pesquisa) se inscreve aquilo que também se inscreve em mim diariamente. O afeto, as afecções, as formas de sentir prazer, de pensar e produzir (sobre) sexo, de ver as imagens, de bater fotos, de ser modelo. De me apaixonar também. Sigo meio louco nesse caminho, do que não sei ao certo quais são as margens e as fronteiras. Fronteiras: divisões imaginadas entre sentir, afeto, e vida. Mas tudo isso em potência. Em devir, eu acho que entendo assim.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dando início aos trabalhos. Postais.

Para Lara Vasconcelos

São Paulo
1º de junho de 2012


Chego e não tenho muito o que falar, embora tenho muito o que sentir, ou que tenha sentido.



O avião foi cansativo; parar duas vezes não é fácil. Mas consegui dormir um pouco.

No avião, ou melhor, já no aeroporto, vi que era eu comigo mesmo. A velha sensação ou certeza de que, apesar de tudo, você está meio só, mesmo que não esteja solitário, mas sempre haverá momentos em que está apenas você e você mesmo, você coordenando suas ações e decisões, você cuidando do seu próprio corpo. Acho que é a primeira vez que viajo estando morando sozinho, sem minha família por perto, ou sem estar na (in)segurança de um namoro; estou aqui porque eu quero, gastando da minha bolsa, e me fudendo se não der certo ou se der algum problema.

Se isso por um lado gera insegurança, por outro, é um sentimento tímido de liberdade. Mas uma liberdade que se quer política e afetiva. Se não, não tem graça.

Por isso, acho que aqui escrevo. E aqui estou. Por isso sinto vontade de falar com os meus, com os meus afectos, com minhas fontes de afecção. Queria muito você aqui.

Assim vou indo. Espero escrever coisas mais interessantes.