quarta-feira, 25 de abril de 2012

Houve uma vez em que eles eram muitos.



Quem comandava o grupo era Lídia. Magra, baixinha, de corpo esguio, e divertida. Bastava para lançar as ideias e animar o resto do grupo. Aceitaram, pois, dormir sob lençóis quentes para afugentar as muriçocas. Isso mesmo: decidiram passar a noite no quarto de Emerson, que era quente, sujo, e cheio de muriçocas por conta de um banheiro sujo e fedorento de anexo. Sim, não era nada muito legal.
Por volta das nove, se encontraram e foram de carro para a casa de Emerson, não sem antes comer qualquer besteira. Quase não conseguiam dormir, o calor e as muriçocas que insistiam em adentrar os cobertores e fazer muita zoada, mas também o papo de meia-noite adiante. Os risos, as gargalhadas. 

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Emerson não sabia como isso acontecia. Sabia que era coisa de sua cabeça, imaginação fértil talvez. Sentia falta dessas pessoas quando dava por si e estava sozinho. Teria sido divertida a experiência.

terça-feira, 17 de abril de 2012

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Despétala

Às vezes, parece que falta um pedaço. Um pedaço que sempre há de faltar. Parece que há uma sobra, um espaço, um vácuo, que se completa com carinho, desejo e ansiedade. Demoro a reconhecer, a admitir esse pedaço, esse espaço, esse vácuo, porque ele eu temo. Temo por ser desconhecido, por ser âncora, mas também por movimentar, mas porque movimenta em uma direção. E nesse espaço, pareço que esqueço meu passado, animo, então, o presente, e almejo um futuro. Um futuro esse, tal, que pode se despetalar, se desfazer, então me armo de medo e tristeza.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Para você, o que você gosta.

Sempre quis isso.

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Morar numa casa (apê) que mais parece um sobradinho, com janelas largas, ruas calmas, vizinhos antigos, que cantam despretensiosamente cânticos à Virgem Maria e que fazem festa e se divertem aos domingos. Gosto das plantas. Gosto das varandas. E mais: gosto de plantas nas varandas. Varandas quadradinhas, que chamam, que convidam a dar um passeio numa tarde em que o sol se põe calorosa e lentamente. Pela manhã, é ele quem nos acorda, entrando discreta, pontual e gradativamente na sala, pelas janelas brancas de dimensões largas. Gosto de pombos que passeiam todo o dia acima do prédio: a gente escuta seus grunhidos e seus voos, mas eles sempre voltam.

Gosto de me sentir assim, livre. Gosto de (na)morar com gente boa, que imita mães, pais e irmãos. Mas que também são mães, pais irmãos, amantes e amigas. Gosto da sala espaçosa, para receber amigos, e da cozinha espaçosa, para conversar enquanto se cozinha pra depois se comer. Gosto também dos pequenos espaços, do quarto, do banheiro. Mas principalmente das janelas brancas de grandes dimensões abertas, de onde nem sempre - ou quase nunca - se transpassa um leve vento.

Gosto da mudança, da adaptação, dos desencontros, das deixas, dos abandonos, dos desesperos, Gosto do riso, do choro, mas mais das gargalhadas, Gosto da lua, do violão, da rua de baixo passando carros, dos ônibus que pego e carrego, Gosto das dramatizações, dos desvios, dos percursos poéticos: dos atentados terroristas poéticos, Gosto das imitações e das graças, ainda que não se seja Nossa senhora, Gosto da Marisa (a Monte), gosto - e me sinto contemplado - quando escuto Diariamente

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Para pular onda, litoral
Para a melhor azeitona, iberia
Para que fiquem prontas, paciência
Para servir uma sopa, graus
Para abrir a rosa, temporada
Para aumentar a vitrola, sábado
Para os dias de folga, namorado
Para a mulher que aborta, repouso

Mais:

Para o telefone que toca
para a água lá na poça
para a mesa que vai ser posta
para você o que voce gosta
diariamente

terça-feira, 3 de abril de 2012

Saudade sem o quê

É uma saudade que não sei a que serve.
Uma saudade que não sente vontade de telefonar, de ouvir voz, de falar. Não é uma saudade de sentimento, é uma saudade, talvez, de amor, de um período em que me senti amado. Ou de um momento em que senti amar, mesmo que de um jeito meio estranho. Uma saudade de me sentir seguro e inseguro ao mesmo tempo, de brincar de amar.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

E se quando ele voltar?

E se quando ele voltar houver fogos de artifício?
E se quando ele voltar houver braços abertos para lhe receber?